Expresso de 19-3-2006

Investigação agronómica destruída

Miguel Mota

Às correctas considerações sobre a ciência expostas por Beatriz Ruivo (a quem apresento os meus cumprimentos), no "Expresso" de 11-3-2006, falta acrescentar que foi nesse período que se incrementou enormemente a destruição de toda a investigação científica que não fosse das universidades, como já mais de uma vez denunciei.
Esse erro clamoroso já custou ao País valores enormíssimos, em diferentes sectores. Um dos que mais sofreu foi a investigação agronómica, com as mais descaradas e gravosas destruições. Complementadas com outras erradíssimas políticas do Ministério da Agricultura, causaram enorme prejuízo à economia nacional (que os governos de Guterres para cá julgam que é apenas composta por comércio e indústria), bem patente em qualquer supermercado. As enormes importações de produtos agrícolas que aqui devíamos produzir melhor e mais barato têm gravíssimas consequências no PIB, no défice orçamental, na inflação, no desemprego e na balança comercial. E uma agricultura eficiente e produtiva tem excelentes reflexos na indústria e no comércio (excepto, claro, nos importadores de produtos agrícolas), a montante e a jusante. Clama-se que é necessário incrementar a exportação e ignora-se que muito mais fácil é não ter de importar aquilo que aqui devemos ser capazes de produzir, como acima disse, melhor e mais barato.