Publicado no "Linhas de Elvas" de 10-2-2005:

EXPORTAR OU NÃO IMPORTAR?

Miguel Mota*

"Não é possível, numa legislatura, aumentar as exportações de 30 para 40% do PIB" foi dito na TV em 27-1-2005.
Não tenho elementos que me permitam apoiar ou refutar esses números. Mas sei que, se Portugal não tivesse que importar (como vemos em qualquer supermercado) as quantidades astronómicas de produtos agrícolas que aqui devia produzir melhor e mais barato, isso teria o mesmo efeito que uma exportação, com benéficos reflexos no PIB, no défice orçamental, na inflação, no desemprego e nas balanças comercial e de pagamentos. E os efeitos benéficos teriam ainda repercussão, a montante e a jusante, na indústria e no comércio. A economia do Pais ganharia muito e apenas perderiam os importadores de produtos agrícolas.
Se, em vez da sistemática destruição da agricultura portuguesa, que vários governos, de diferentes cores, têm vindo a proceder (como tenho denunciado), se procedesse ao seu desenvolvimento (como tenho indicado, pois não há outra forma de o fazer), a nossa economia estaria a um muito mais elevado nível e bem melhor seria a vida dos portugueses.
Um novo governo deverá entrar em funções depois de 20 de Fevereiro próximo. Sem a possibilidade de escolher livremente - e não está à vista a alteração da Constituição que já propus, para que Portugal passasse a ser uma democracia, em vez duma altamente limitante ditadura partidocrática - os portugueses vão "castigando" os que não souberam - ou não quiseram... - fazer o que era necessário e possível para melhorar o País, trocando a cor do governo, mesmo sabendo - é a experiência do passado que o diz! - que os que vêm a seguir até são capazes de fazer pior. Com excepção de alguns fanáticos e de outros que apenas pretendem governar-se, a maioria dos portugueses não quer saber das ideologias - todas elas bem falseadas, como se tem visto - e apenas pretende no comando um governo que funcione bem, o que não tem havido nestes últimos anos.
No que respeita à agricultura, como parte muito importante da economia - algo que têm feito por ignorar - se o novo governo, qualquer que ele seja, não iniciar imediatamente um intenso programa para o seu desenvolvimento, talvez nem chegue ao fim da legislatura. Com o poder que a Constituição lhe confere e com o precedente estabelecido, é muito possível que o novo Presidente da República, qualquer que ele seja, dissolva a Assembleia da República e mande fazer eleições antecipadas.
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* Investigador Coordenador e Professor Catedrático, jubilado. Presidente da Sociedade Portuguesa de Genética.