Publicado no "Diário de Notícias" de 1 de Fevereiro de 2006
No texto, a negro as partes cortadas pelo DN e indicadas como: (...)

Ainda os funcionários "a mais"

Miguel Mota*

A incapacidade dos nossos políticos e em especial dos que têm a seu cargo, directa ou indirectamente, a economia, mede-se, obviamente, pelos resultados do sector. O facto de Portugal estar há muito na cauda da Europa dos 15 e a grande distancia da média, para já não falar dos da frente, é a prova dessa incapacidade. E não está na cauda dos 25 graças a alguns países que vieram da miséria comunista, embora já fique abaixo do 15º lugar.
Não sabendo, sequer, quais são os componentes da economia (ignorância em que têm sido acompanhados por todos os Primeiros Ministros desde Guterres), julgam que é composta apenas pelo comércio e pela indústria(.), como se prova com o nome errado que dão ao ministro dessa pasta. Para além das destruições que têm causado nos sectores directa e indirectamente ligados à economia (como repetidamente tenho denunciado), a (A) única "receita" que sabem aplicar é a redução do número de funcionários públicos, num país em que o estado não faz muita coisa que devia fazer e em que constantemente se ouvem clamores da falta de meios humanos. É claro que nunca indicam quais são os que (quantos) estão "a mais" e limitam-se a atirar números, por vezes altíssimos, dos que são para reduzir. E já houve alguns casos de redução, por convite à reforma, em que vão continuar a receber a pensão do estado e sem lhe dar em troca algum trabalho. E já houve casos em que os reformados, porque faziam falta, continuaram a trabalhar, a recibos verdes!
Mas além de todas essas desgraças que, repito, tenho denunciado em vários escritos, o "Diário de Notícias" de 28-1-2006 dá-lhes a mais retumbante resposta: publicou a percentagem de funcionários públicos indicada pela OCDE para um bom grupo de países e onde Portugal é o 3ª mais baixo, com 17,9%, sendo o mais alto a Suécia com 33,3% do total do emprego. A Suécia, com 9 milhões de habitantes, tem 1.200.000 funcionários públicos e a economia, a protecção social e o nível de vida de toda a população fazem Portugal morrer de inveja. A França e a Alemanha ficam pelo meio da tabela, na ordem dos 24% de funcionários.
Convém que os cidadãos portugueses tenham atenção a estes números e não consintam que alguns incompetentes continuem a destruir a sua economia, em vez de a desenvolverem.

Miguel Mota, Oeiras