Publicado no "Diário de Notícias - Economia" de 28-7-2006

Produzir para não importar

Miguel Mota

É lógico que "Portugal precisa de exportar muitos mais bens manufacturados" ("Doha" (a quem doer), DN de 25-7-2006). Mas as pessoas esquecem-se de que o mesmo resultado se obtém mais facilmente não tendo que importar aquilo que aqui temos obrigação de produzir melhor e mais barato. É esse o caso de muitos produtos agrícolas e quando vemos nos supermercados quantidades astronómicas desses produtos devíamos saber que estamos a causar à nossa economia um prejuízo enorme. Importar bananas ou outros frutos que aqui não produzimos é normal. Mas como se explica a presença de tantas batatas, cebolas, cenouras, alhos, alfaces, tomates, pimentos, feijão verde, melões, melancias, laranjas, limões, ameixas, pêssegos, nêsperas, maçãs, peras, uvas, morangos, etc. etc. etc. vindos não só da vizinha Espanha, mas até de bem distantes terras? O que considero o cúmulo dos cúmulos é encontrar à venda, nos nossos mercados, rabanetes vindos da Holanda, algo para que já chamei a atenção. Para todos aqueles produtos não há desculpa para Portugal não ser capaz de os produzir melhor e mais barato, mas a situação é o resultado da destruição da agricultura portuguesa, em curso há vários anos, por diversos governos e que continua com grande intensidade.