Publicado, com pequenos cortes, no "Expresso" de 16 de Abril de 2005:
(A negro as frases cortadas pelo jornal)

RECTIFICAÇÕES

Para alem do erro do título "Um funcionário < do Ministério da Agricultura > para 4 agricultores" ("Expresso" de 25-3-2005), fácil de detectar quando no texto se diz que são 12.500 funcionários para 500.000 agricultores (ou seja, um para 40), há vários pontos que merecem comentário. O facto de, segundo o "Expresso", apenas 10% dos 500.000 (ou seja, 50.000) terem na agricultura a sua actividade principal, não significa que os outros 450.000 não necessitem dos serviços do ministério. (E seria interessante comparar idênticas proporções dizendo quantos funcionários tem o Ministério das Finanças para o total dos portugueses que dele se servem e o mesmo para alguns outros ministérios).
Portugal anda, há algumas décadas, a fazer esforços desesperados para destruir a sua agricultura. De há dez anos para cá mostra nem saber que ela é parte - e muito importante! - da economia, como se vê pela designação que dá ao ministério do Comercio e Indústria. Esse clamoroso erro dos políticos por ele responsáveis já custou ao Pais uma fabulosa fortuna e muito contribuiu para o estado da nossa economia e, por tabela, das nossas finanças públicas. Os únicos beneficiados por esse erro elementar e clamoroso são os importadores de produtos agrícolas, que ganham bom dinheiro, à custa de todos nós.
Mas o facto do Ministério da Agricultura ter um razoavelmente número de funcionários vem mostrar o que tem sido a nefasta acção dos ministros (de várias cores politicas) que, mesmo dispondo de pessoal, não têm feito o que seria necessário para desenvolver a nossa agricultura, torná-la a actividade competitiva que podia e devia ser e contribuindo para a economia portuguesa com um valor muito mais alto do que o que lhe dá hoje. As grandes limitações impostas à investigação agronómica (cuja função é, em última análise, descobrir constantemente a forma de agricultar melhor) e a destruição do pouco que havia da chamada extensão agrícola (que leva aos agricultores os conhecimentos de que ele necessita), as duas alavancas fundamentais para o progresso da agricultura em qualquer local do mundo, já puseram a nossa agricultura no estado em que está. Só um Programa Intensivo de Investigação Agronómica e de Extensão Agrícola, como já propus a alguns ministros, mas que não foi posto em prática, poderá conseguir recuperar o tempo perdido e melhorar enormemente a nossa economia.

Miguel Mota
Presidente da Sociedade Portuguesa de Genética