Publicado no "Jornal de Oeiras" em 12-4-2005:

Uma "Loja de Portugal" na Suécia?

Miguel Mota

Mesmo as pessoas que nunca visitaram a Suécia sabem que esse país é muito desenvolvido, tem um dos valores mais altos do PIB per capita do mundo, com uma excelente agricultura e uma excelente indústria, um sistema de protecção social dos melhores e... é um pais onde não há pobres!
Recentemente, uma grande empresa sueca abriu uma loja em Lisboa, à semelhança do que já tinha feito noutros países. O êxito foi grande e essa loja, de grandes dimensões, tem feito excelente negócio na venda de produtos suecos variados, que vão de mobiliário a produtos alimentares, alguns já preparados, como as famosas almôndegas suecas. A loja inclui também um restaurante, frequentemente a abarrotar de clientes.
Portugal exporta alguns produtos para a Suécia. Mas o exemplo acima referido faz pensar se não será de abrir na Suécia uma "Loja de Portugal" para vender muitos produtos que ali há dificuldade em encontrar e que talvez encontrem um mercado interessado. Sei como alguns suecos adoram a marmelada portuguesa, a autêntica, feita de marmelo, bem diferente da "marmelade" inglesa, à base de laranja. Vi como foi apreciada uma garrafa de aguardente velha de Carvalho Ribeiro e Ferreira que uma vez ofereci. Alguns produtos de cortiça e artesanato diverso também cativam os suecos. A nossa variedade imensa de excelentes vinhos é pouco conhecida e com nome bem divulgado apenas encontramos o Mateus Rosé. O mobiliário alentejano, os vimes da Madeira, as loiças de Alcobaça e de várias terras alentejanas são algo diferente do que por lá abunda. Bordados da Madeira e de outras regiões podem também ser produtos de interesse, etc. Com grande variedade de produtos, uma "Loja de Portugal" - um nome que se pode generalizar - teria algumas probabilidades de êxito e seria uma forma de aumentar as exportações portuguesas e ajudar a nossa bem desequilibrada balança comercial.
Embora como objectivo final se possa considerar uma grande cadeia de "Lojas de Portugal", abrangendo diferentes países, o empreendimento poderia começar com uma em Estocolmo ou nalguma das cidades do Sul, como Malmoe, Lund ou Helsingborg. Se o êxito se concretizasse poderia então estender-se aos outros países escandinavos (Dinamarca, Noruega e Finlândia), à Alemanha, etc. Quando o nome "Loja de Portugal" começasse a ser conhecido e o número de estabelecimentos fosse grande, os custos do seu abastecimento, em conjunto, seriam mais reduzidos do que no início, como sucede actualmente com algumas das grandes cadeias semelhantes.
Esta iniciativa podia ser originada numa grande empresa já estabelecida, como a SONAE ou, em alternativa, por uma sociedade formada por produtores do que se pretende ali vender, assim diminuindo os riscos no caso de a iniciativa não ter êxito. Não valerá a pena tentar?